Como ler esta trilogia na ordem certa?

Esta é uma série de 3 partes, dividida em 10 histórias eróticas.

Para ler pela ordem:

  1. Os Segredos do Arquivista:
  2. Máscaras do Desejo:
  3. O Acerto de Contas do Guardião:

Diz-nos o que achaste!

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Kian tinha conhecido Victor em circunstâncias diferentes das da maioria dos convidados do Vault. Não tinha sido na bruma do salão principal nem durante os sussurros abafados de um encontro privado — tinha sido num momento de observação silenciosa, em que Victor o estudara como um enigma, daquele tipo de olhar que não se limita a olhar-te, mas atravessa-te.

Victor era composto, confiante de uma forma que não era encenada. Movia-se com uma naturalidade que só vem de um profundo conhecimento de si próprio. Quando pediu para ver Kian à noite, não havia urgência na sua voz, apenas certeza.

Kian tinha contado a Selene, esperando que ela lhe desse alguma perspetiva.

“O Victor e a Mira?” Ela tinha sorrido, colocando uma madeixa de cabelo atrás da orelha. “São boas pessoas. Se pediram por ti, provavelmente precisam que resolvas algo para eles.”

Kian tinha aceitado as suas palavras ao pé da letra. Assumira que se tratava de algum assunto dentro do Vault — uma disputa, um favor, talvez até uma preocupação de segurança. O que não esperava era ser convidado para o mundo deles.

Agora, parado à porta do salão privado deles, hesitou. A porta estava ligeiramente entreaberta, um convite silencioso, mas o seu pulso latejava com algo desconhecido. Sempre fora o observador, o guardião dos limites. O que queriam eles dele?

Entrou.

A sala contrastava com o resto do Vault — menos teatral, mais íntima. Uma iluminação ambiente e baixa banhava tudo de calor, o ar perfumado com algo rico e indulgente. Uma espreguiçadeira estava no centro, de um azul profundo, com cordas de seda pousadas sobre os braços e as pernas.

Victor estava ali, recostado com aquele à-vontade que lhe era natural. Vestia uma camisa preta de colarinho aberto, as mangas enroladas, deixando à mostra antebraços marcados com tatuagens subtis e intrincadas. Os seus olhos escuros encontraram os de Kian com um divertimento tranquilo.

Mira estava ao lado dele. Era deslumbrante de uma forma que não se resumia à beleza, mas à presença. Tinha a postura de uma bailarina, os movimentos sem pressa, como se tivesse todo o tempo do mundo. Um vestido verde-esmeralda profundo moldava as suas curvas, o tecido a espalhar-se em redor das pernas enquanto se sentava com um braço pousado no ombro de Victor.

“Vieste,” disse Victor, a voz suave, convidativa.

Kian expirou, fechando a porta atrás de si. “Pediram por mim.”

Mira inclinou a cabeça, estudando-o com uma curiosidade tranquila. “Respondes sempre quando és chamado?”

Kian encarou o olhar dela, indecifrável. “Sou o Guardião. É o meu papel.”

Victor riu-se baixinho. “Falas como um homem que nunca se permitiu ser mais nada.”

Kian retesou-se ligeiramente. “Se isto for sobre um assunto do Vault, prefiro—”

“Isto é sobre ti,” interrompeu Mira, gentilmente. “Se estiveres disposto.”

O silêncio estendeu-se entre eles.

Victor inclinou-se para a frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. “Nós reparamos nas coisas, Kian. Já vimos ao Vault tempo suficiente para reconhecer um homem que vive por fora, a olhar para dentro. Mantens a ordem, fazes cumprir as regras, mas alguma vez te permites… sentir?”

Kian franziu o sobrolho. “Não misturo o meu dever com prazer.”

Os lábios de Mira curvaram-se num sorriso conhecedor. “E, no entanto, aqui estás.”

Algo no tom dela fez o calor formigar na base do pescoço de Kian. Ele engoliu em seco. “O que estás exatamente a sugerir?”

Victor apontou para a espreguiçadeira. “Um exercício de confiança. De entrega.”

O olhar de Kian desviou-se para as cordas de seda. O corpo tensionou-se instintivamente. “Eu não—”

“Não se trata de contenção,” disse Mira suavemente. “Trata-se de escolha. Podes parar a qualquer momento. Mas se te permitires… talvez descubras algo.”

A respiração de Kian tornou-se mais pesada. Uma guerra travava-se dentro dele — a lógica contra a curiosidade, o controlo contra algo mais profundo. Passara anos a dominar-se, mantendo as suas necessidades enterradas sob a obrigação.

E, no entanto, os seus pés não se moveram em direção à porta.

Mira levantou-se e aproximou-se dele, os movimentos lentos e suaves. Quando chegou junto dele, não lhe tocou — ainda não. Ficou apenas perto o suficiente para que ele sentisse o calor da sua presença.

“Diz-me que não,” sussurrou ela, “e paramos.”

A garganta de Kian estava seca. Não tinha a certeza do que estava a concordar, apenas que o corpo o traía, o calor a enroscar-se no fundo do estômago só de pensar em ceder.

Expirou lentamente. “Mostra-me.”

Mira sorriu.

Victor levantou-se, enrolando as mangas um pouco mais. “Vamos começar.”

Kian esperava contenção. Esperava algo que o prendesse. Mas o que encontrou foi controlo envolto em seda.

Mira pegou primeiro no seu pulso, os dedos leves como penas contra a pele dele. Não havia força, nem urgência. Apenas paciência. Uma pergunta pairava no seu toque, à espera de permissão.

“Confiança não é perder o controlo,” murmurou ela, observando-o. “É saber que estás seguro mesmo quando te deixas ir.”

Victor estava agora atrás dele, a sua presença a servir de âncora. “Deixa-a,” disse, a voz baixa. “Deixa-te ir.”

Kian engoliu em seco. O corpo permanecia rígido, a mente em guerra consigo própria. Ele era o Guardião. Devia ser intocável. Mas algo naquele momento — algo neles — desfazia esse alicerce.

Fez a Mira o mais pequeno dos acenos.

Ela recompensou-o com um sorriso antes de guiar o pulso dele até ao braço da espreguiçadeira. A corda de seda enroscou-se na sua pele, sussurrando em vez de prender. Ela não a apertou. Não a tornou absoluta. Estava apenas ali, uma presença, nada mais.

A respiração dele abrandou.

“Podes parar isto a qualquer momento,” lembrou-lhe Mira, enquanto pegava no outro pulso, repetindo o movimento. “Diz a palavra, e está desfeito.”

Kian não respondeu. Apenas sentiu.

A seda estava fresca contra a sua pele, em contraste com o calor que se espalhava por baixo dela. O peito subia e descia com regularidade, o corpo atento a cada som, a cada respiração.

Victor voltou a surgir no seu campo de visão, de pé ao lado de Mira. “Mantens-te como quem espera uma batalha,” observou, divertido. “Mas isto não é guerra, Kian. Isto é sensação. Apenas sente.”

Kian quis rir-se com desdém, dizer-lhes que aquilo não era nada. Mas então Mira tocou-lhe.

Não nos pulsos. Não em nenhum sítio contido.

Deslizou as pontas dos dedos ao longo da linha da clavícula dele, o toque tão leve que quase não estava ali. Mas ele sentiu-o como uma faísca, um fogo lento a percorrer-lhe as terminações nervosas.

A respiração de Kian ficou presa.

Mira aproximou-se, a voz um sussurro junto ao ouvido dele. “Achas que o controlo é força. Mas a entrega… a entrega também é poder.”

Victor ajoelhou-se diante dele, o olhar firme. “Diz-me o que sentes.”

A mandíbula de Kian retesou-se. As palavras não vinham. Não estava habituado a isto. Ao desfazer lento. À forma como o estudavam, como se quisessem conhecer cada reação, cada pensamento. Selene já o tinha feito dizer o suficiente, não achava que pudesse sentir mais. O seu corpo era o seu inimigo. O inimigo que ele próprio treinara.

Os dedos de Mira desceram pelo braço dele, seguindo o percurso da corda. “Estás a reter-te,” observou. “Ainda a proteger-te.”

Kian mordeu o interior da bochecha. “Eu não—”

Victor tocou-lhe no joelho. Foi firme, estabilizador. Não para provocar — para lembrar.

“Não tens de lutar contra isto,” disse Victor, a voz firme. “Basta estares presente.”

Kian expirou bruscamente, forçando-se a relaxar, só um pouco. E quando o fez, foi como se algo se tivesse deslocado.

O toque de Mira tornou-se mais deliberado, traçando caminhos lentos e sinuosos sobre o peito ainda vestido, provocando por cima do tecido como se conseguisse sentir a forma como o corpo dele reagia.

As mãos de Victor imitavam-na, as pontas dos dedos a pressionar suavemente as linhas marcadas das coxas dele, sentindo a tensão ali presente.

“Bom,” elogiou Mira.

Kian engoliu em seco. Não sabia se estava a fazer alguma coisa bem, mas eles agiam como se estivesse. Como se cada contração dos seus músculos, cada respiração que dava, fosse algo a saborear.

Mira mexeu-se, o leve farfalhar da sua roupa quase inaudível sobre o silêncio pesado entre eles. Os dedos dela desceram, traçando padrões lentos e deliberados sobre o abdómen de Kian, sem nunca apressar, sem nunca exigir. Apenas a explorar.

A respiração de Kian tinha mudado. Mais superficial agora, mais irregular. Não estava habituado a isto — a ser ele o centro de algo, despido do seu papel habitual.

Victor observava-o de perto, a expressão indecifrável. “Estás a processar,” notou, com divertimento na voz. “Pensas demasiado em tudo, não pensas?”

Kian tensionou-se instintivamente, mas Mira acalmou-o com uma carícia lenta da mão pelo peito. “Não tens de responder,” murmurou. “Deixa-te apenas sentir.”

Sentir.

Era uma coisa tão simples, e ainda assim tão estranha para ele desta forma. Kian sempre associara o toque ao poder — ou exercendo controlo ou resistindo-lhe. Mas isto era diferente. Não havia força, nem expectativa.

Apenas sensação.

Mira aproximou-se mais, a respiração quente contra a mandíbula dele. “Diz-me uma coisa que te faça sentir bem agora,” sussurrou.

Kian engoliu em seco. A garganta seca, a mente enevoada. Quase não deu conta de quando os lábios se entreabriram.

“A seda,” admitiu, a voz rouca. “Não é… o que eu esperava.”

Mira sorriu, deslizando os dedos ao longo do percurso da corda no pulso dele. “Porque é macia?”

“Porque está ali,” disse Kian. “Mas não toma nada. Apenas—” Expirou bruscamente. “Faz-me lembrar”

O olhar de Victor brilhou de interesse. “De quê?”

Kian hesitou. “Que estou a deixar acontecer.”

Mira trocou um olhar com Victor, algo conhecedor a passar entre eles.

“É esse o objetivo,” disse Victor por fim. “Não se trata de contenção, Kian. Trata-se de escolha.”

Kian fechou os olhos por um momento, absorvendo aquilo.

Escolha.

Era uma escolha, não era? Podia pedir-lhes para parar a qualquer momento, e eles parariam. Mas não o tinha feito.

Os dedos de Mira roçaram o esterno dele, o toque leve mas reverente. “Não precisas de te controlar tão rigidamente o tempo todo,” disse suavemente. “Tens direito a momentos só para ti.”

Aquilo não devia ter atingido tão profundamente. Mas atingiu.

Victor estendeu a mão, os dedos a pressionar levemente o antebraço de Kian. “Passaste tanto tempo a cuidar de todos os outros. Quando foi a última vez que alguém cuidou de ti?”

Kian não respondeu. Não conseguia.

Porque, sinceramente, não sabia. Além da sessão de beijos com Selene há alguns dias, não conseguia lembrar-se de alguma vez se ter deixado ir assim.

Os lábios de Mira roçaram o ombro dele, as mãos a percorrer o seu corpo com uma intimidade quase reverente.

“Não tens de te entregar por completo,” murmurou Mira. “Apenas… deixa-nos dar-te alguma coisa.”

Kian expirou tremulamente, o corpo a vibrar de consciência, cada nervo sintonizado com o toque deles.

E, pela primeira vez em mais tempo do que conseguia recordar… Ele deixou-se ir.

Lê a Parte 3: O Convite do Alquimista

Como ler esta trilogia na ordem certa?

Esta é uma série de 3 partes, dividida em 10 histórias eróticas.

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  1. Os Segredos do Arquivista:
  2. Máscaras do Desejo:
  3. O Acerto de Contas do Guardião:

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